
Quando recebi a minha patente do Grau 33, logo tratei de pendurá-la na parede da sala, junto as outras, pois tenho muito orgulho da minhas conquistas maçônicas. Neste diploma, além das minhas informações, no lado esquerdo tem o clássico símbolo do triângulo com esplendor e dentro o número 33, a Águia Bicéfala e ainda a Joia do grau. A Joia é linda, mas dificilmente à encaro fora dos dias de sessão nos corpos que faço parte. Mas ela ali, estampada no diploma, evidencia a série de símbolos que a compõe. Alguns mais conhecidos que os outros, mas outros bem estranhos ao conhecimento geral para quem não é o Robert Langdon.
Sempre pensei em fazer um texto sobre, mas nunca o fiz por falta de tempo ou um interesse mais profundo. Mas hoje me incomodou olhar e não compreender de cara. Aos domingos geralmente eu tiro um cochilo preguiçoso após o almoço, mas o sono foi inquietante, pois a joia rodopiava em minha cabeça. Por isso, após o café da tarde eu me dediquei a explorar cada um dos símbolos. Resolvi fazer um texto curto e sem enrolação, e cá estou 10 da noite compartilhando o resultado com vocês.
A Joia do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito

A Cruz Teutônica reclama uma origem templária para os altos graus do Rito Escocês Antigo e Aceito (mesmo que eles não fossem da Ordem do Templo em si). Albert Pike acerca do Grau 30, Cavaleiro Kadosh, que tem a mesma cruz como Símbolo, nos diz que “Os Templários, ou Pobres Companheiros-Soldados da Santa Casa do Templo que pretendiam reconstruir, tomaram como modelo na Bíblia, os Guerreiros Maçons de Zorobabel, que trabalhavam segurando a espada numa mão e a trolha na outra. Mackey diz que houveram tentativas para incorporar os Cavaleiros Teutônicos a maçonaria e que sua cruz faz parte dos altos graus, mas que não existe qualquer conexão real desta ordem com a maçonaria.
O Tríplice triângulo representa a presença de Deus, o Grande Arquiteto do Universo, na vida humana através da matéria, da vida e do espírito.
SAPIENTIA: As letras das interseções dos triângulos formam a palavra SAPIENTIA, que significa sabedoria.
A espada reclama o poder e nobreza.
A Mão da Justiça: Inicialmente utilizada nas coroações dos Reis Franceses para simbolizar a autoridade e que a justiça emanava do Rei. A peça não sobreviveu a Revolução francesa, e o símbolo foi retomado por Napoleão em sua coroação.
Ouroboros: A serpente que se devora significa o ciclo infinito, onde não se sabe onde começa ou termina.
A Águia Bicéfala: Maior símbolo do Rito Escocês Antigo e Aceito, faz clara alusão ao Império Romano (ou a parte Bizantina) para simbolizar o poder sobre o Oriente e o Ocidente. Segundo De Hoyos (2002) a águia foi herdada da Ordem do Real Segredo que foi utilizada anteriormente pelo Conselho de Imperadores do Oriente e Ocidente.
Ordo ab Chao: O autor Kennyo Ismail, em suas palestras sobre o tema, costuma dizer que o mote foi estabelecido com a organização dos altos graus pelo Supremo Conselho de Charleston pelos 11 cavalheiros, pois levaram a Ordem sobre o Caos que eram os graus antes de serem organizados.
Deus Meumque Jus: Deus e o Meu Direito, de acordo com Albert Pike (apud De Hoyos, 2002), este era o grito de guerra dos templários, cuja tradição é reclamada pelos membros do grau 33.
Referências:
SZUHOPA ANGELES, Juan Alberto. Sovereign Grand Inspector General 33°. Scribd, [s.d.]. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/922176992/80504428-Sovereign-Grand-Inspector-General-33. Acesso em setembro de 2026.
HAND of Justice; known as Main de Justice du Sacre. In: Gothic Ivories Project. London: The Courtauld Institute of Art, [s.d.]. Disponível em: http://gothicivories.courtauld.ac.uk/images/ivory/927EB5CA_931c143e.html. Acesso em setembro de 2026.
CROSS, Teutonic. In: Encyclopedia Masonica. Larkspur: Universal Co-Masonry, [s.d.]. Disponível em: https://www.universalfreemasonry.org/en/encyclopedia/cross-teutonic. Acesso em setembro de 2026.
MACKEY, Albert G. Teutonic Knights. In: MACKEY, Albert G. An Encyclopedia of Freemasonry and Its Kindred Sciences. Phoenixmasonry, [s.d.]. Disponível em: https://www.phoenixmasonry.org/mackeys_encyclopedia/t.htm. Acesso em setembro de 2026.
PIKE, Albert. Moral e Dogma do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria. Tradução, revisão e notas de Kennyo Ismail. Brasília: No Esquadro, 2023.

