O grau de companheiro maçom no Rito Escocês Antigo e Aceito é extremamente negligenciado, e essa repulsa ao grau, tem sua origem em um esoterismo mal interpretado, onde o grau de companheiro é ligado ao número dois, símbolo da dualidade. Essa crença afasta o iniciado de se aplicar no estudo de um dos mais belos graus, correndo o mais rápido possível para chegar na tal da plenitude maçônica, ou seja, o grau de mestre.
Mas ao levarmos em consideração que a maçonaria descende ou é inspirada nas corporações de ofício, antes ainda da existência da maçonaria especulativa, o companheiro era um profissional formado. Afinal só existiam as classes de Aprendiz e Companheiro. Mestre era somente o chefe da oficina. Na maçonaria moderna, inicialmente, o mestre era o título de quem presidia a Loja, e o obreiro comum era o companheiro, o maçom pleno.
Corroborando com essa ideia, nas mais diversas simbologias maçônicas, o companheiro é representado pela pedra cúbica, ou seja, uma pedra acabada. Enquanto o aprendiz é representado por uma pedra tosca. A pedra cúbica, perfeitamente acabada, funciona como um molde para o esquadro, ou seja, a referência a ser seguida representando o maçom completo, perfeito.
Outra coisa interessante, que nunca vi escrito em uma fonte primária, mas é ensinado de forma empírica nas Lojas, é que o avental do companheiro maçom, tem a abeta abaixada pelo Venerável Mestre, pois não tendo o trabalho tão pesado quanto o de aprendiz, não precisa proteger a parte de cima do corpo.
O trabalho menos braçal não é uma condição de preguiça, nem quer dizer que é em menor quantidade. Mas como disse, fruto de uma função mais especializada e consequentemente, com mais responsabilidades. Para atestar esse entendimento, como a maçonaria moderna descende ou reclama a tradição das corporações de ofício, utilizarei um trecho dos Estatutos de Schaw de 1599 para demonstrar:
É estabelecido pelo vigilante geral, que o vigilante da loja de Kilwinning, sendo a segunda loja na Escócia, irá testar todos os companheiros do ofício e cada aprendiz, sobre a arte da memória e ciência, de acordo com suas vocações, e no caso de terem perdido qualquer ponto exigido deles, eles devem pagar a penalidade da seguinte maneira por sua preguiça, isto é, cada companheiro do ofício, vinte xelins, cada aprendiz, dez xelins, a ser pago ao caixa para o bem comum, anualmente, e em conformidade com o uso comum e prática das lojas neste reino.
A questão do pagar mais, tem a ver com uma maior responsabilidade, pois como falei acima, “mestre” era apenas o Mestre da Loja. O profissional completo, formado e pronto para atuar, era o companheiro de ofício.
Sendo assim, o grau de companheiro não deve ser negligenciado, e sim exaltado, pois é essa classe de maçom que serve de referência para o aprendiz, auxiliando o mestre a educa-lo para que possa desbastar sua pedra bruta.
Cloves Gregorio
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